
Doença de Peyronie
Muitos homens procuram o médico porque o seu membro diminuiu de tamanho, entortou e porque notam um “carocinho” dentro dele. Alguns, até apavorados pela suspeita de que possa ser um temível câncer. Outros já com dificuldades para manter relações sexuais, pela dificuldade de ereção.

A Doença de Peyronie ou induratio penis plastica é um distúrbio que atinge principalmente homens a partir dos 50 anos, sendo muito comum em diabéticos. É uma doença degenerativa que afeta a elasticidade do pênis. Se essa elasticidade for mais afetada em um dos lados, no momento em que o pênis entrar em ereção, vai encurvar para este lado que distende menos. Se o comprometimento atingir difusamente esse pênis quando em ereção, já não se distenderá tanto, ficando menor. É comum membros perderem até 5cm no seu comprimento no decorrer da doença, que tem um caráter crônico e progressivo.

Legenda: Na doença de Peyronie, o tecido elástico normal da túnica albugínea é substituído por uma placa fibrosa. A curvatura pode atingir até 90 graus tanto para cima, como para baixo ou para o lado, podendo estar associada ou não à dor durante as ereções.
A perda da elasticidade com o conseqüente endurecimento das estruturas do pênis com grande freqüência levam a diminuição progressiva da capacidade de ereção. No decorrer da evolução desta doença, cerca de 20% dos homens desenvolvem impotência sexual.
Apesar deste distúrbio ter sido descrito em 1743 pelo médico francês François Gigot de La Peyronie, ainda não existe um tratamento consagrado para esta patologia. Para um interessante percentual de casos pode ser recomendado tratamento farmacológico, aplicação de fontes energéticas na fibrose (radioterapia, ultra-som, litotritor e laser), cirurgia de redução da face longa do pênis ou cirurgia de alongamento da face curta do pênis com ou sem enxerto. Nos casos em que há comprometimento da função erétil cabe a colocação de próteses penianas.
Compreende-se que a existência de várias opções de tratamento evidencia a falta de uma alternativa verdadeiramente eficiente. O tratamento cirúrgico justifica-se nos casos mais avançados com comprometimento da função sexual. Nos casos iniciais ou intermediários preconizam-se tentativas com o tratamento clínico.
Um dos tratamentos revolucionários, com resultados entusiasmantes, tem sido a fisioterapia com aparelhos dinamométricos. Fazemos questão de enfatizar este tipo de tratamento para a Doença de Peyronie, pois muitos homens que poderiam se beneficiar com este tipo de tecnologia não tem acesso a esta informação. Seguramente, esta terapêutica foi uma das maiores contribuições no tratamento da Doença de Peyronie, em especial naqueles casos em que a principal queixa seja ou a curvatura ou a diminuição do tamanho do pênis.
Caso o homem possua essa curvatura no pênis desde o nascimento, esta poderá ter sido causada por um problema de repuxamento de uma das membranas do pênis (túnica albugínea e/ou envoltórios externos à túnica). Esse é o chamado pênis curvo congênito ou curvatura peniana congênita, cujo tratamento é semelhante ao Peyronie.
Não é conhecida uma causa específica para a formação da placa (cicatriz). Alguns estudos mostram que o problema advém de uma doença auto-imune, enquanto outros acreditam que a causa seja hereditária. Mas genericamente, acredita-se que estes pacientes teriam uma maior tendência à formação de cicatrizes.
O trauma do pênis, durante a relação sexual também tem uma forte ligação com o desenvolvimento da doença, porém, somente 30 a 40% dos pacientes lembram do fato quando questionados. Este trauma levaria a um ferimento, que por sua vez levaria a uma inflamação e conseqüente formação de uma cicatriz na túnica, o que impediria da mesma esticar durante a ereção, levando a uma curvatura para o lado da mesma. Estima-se que 3% dos homens desenvolverão a doença durante a vida.
Fonte: Dr. Bayard Ollé Fischer Santos , Dr. Eduardo Berna Bertero , American Academy of Family Physicians.
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